Petróleo ultrapassa US$ 107 com novos ataques e aumenta pressão sobre o mercado mundial.
Brent registra forte alta diante do risco de interrupção do abastecimento no Oriente Médio.
Por Fogo e Poder
Publicado em 14/09/2026 18:39
Novidades

14 de setembro de 2026

O petróleo voltou a subir fortemente nesta segunda-feira (14), em meio à intensificação dos ataques no Oriente Médio e ao aumento dos riscos para o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

O Brent chegou a ser negociado próximo de US$ 108 por barril, enquanto o WTI também avançou cerca de 3% durante a sessão. Dados da Reuters indicavam Brent em US$ 107,54 e WTI em US$ 102,93 em determinado momento da manhã.

O movimento está relacionado principalmente ao temor de que a guerra provoque novas interrupções no fornecimento internacional.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas utilizadas para transportar petróleo e gás produzidos nos países do Golfo Pérsico.

Quando a circulação de navios é prejudicada, o mercado imediatamente passa a calcular o risco de uma redução da oferta.

E o mercado de petróleo é global.

Isso significa que uma interrupção no Oriente Médio pode elevar os preços também no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.

O problema se agravou com novos ataques

Nos últimos dias, ataques atingiram navios e infraestrutura energética da região.

Um dos acontecimentos mais importantes foi o fechamento temporário do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita após um ataque com drones.

A estrutura atravessa cerca de 1.200 quilômetros do território saudita e foi criada justamente para permitir o transporte de petróleo sem depender exclusivamente do Estreito de Ormuz.

A paralisação adicionou uma preocupação extra ao mercado.

Se uma rota principal está comprometida e uma rota alternativa também sofre ataques, o risco de redução da oferta aumenta.

O efeito dominó

O petróleo é utilizado direta ou indiretamente em praticamente toda a economia.

Petróleo mais caro

Combustíveis mais pressionados

Diesel mais caro

Frete mais caro

Custos de produção e distribuição maiores

Pressão sobre a inflação

Esse processo não é automático nem acontece necessariamente na mesma velocidade em todos os setores.

Mas uma alta prolongada do petróleo aumenta o risco de inflação.

O Brasil está protegido?

Parcialmente.

O Brasil é um importante produtor e exportador de petróleo, principalmente graças à produção do pré-sal.

Quando o preço internacional sobe, as exportações brasileiras podem gerar mais receita.

Mas o país não é totalmente independente do mercado internacional de combustíveis.

O Brasil também importa derivados, especialmente diesel, e os preços internos sofrem influência das condições internacionais.

Por isso, petróleo mais caro pode representar simultaneamente:

GANHO

para exportadores

PRESSÃO

para consumidores

O que pode acontecer com a gasolina e o diesel?

Se o petróleo permanecer em patamar elevado, aumenta a pressão sobre os preços dos derivados.

O diesel merece atenção especial porque está presente em praticamente toda a logística brasileira.

Caminhões transportam grande parte das mercadorias do país.

Isso significa que uma alta persistente do diesel pode aumentar o custo do transporte de:

  • alimentos;
  • móveis;
  • eletrodomésticos;
  • materiais de construção;
  • produtos industriais.

O impacto final dependerá dos preços internacionais, das decisões da Petrobras, dos impostos e das políticas adotadas pelo governo.

Petróleo também pode afetar os juros

Uma alta prolongada pode contribuir para aumentar as expectativas de inflação.

Caso a inflação permaneça pressionada, o Banco Central poderá encontrar mais dificuldade para reduzir os juros.

Para o consumidor, isso significa risco de crédito mais caro.

A consequência pode aparecer em:

financiamento de carro, financiamento de imóvel, empréstimos e crédito empresarial.

O que observar nos próximos dias?

1. Tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz;

2. Funcionamento do oleoduto saudita;

3. Novos ataques contra infraestrutura energética;

4. Preço do Brent.

Quanto mais rapidamente as rotas forem normalizadas, maior a possibilidade de redução do prêmio de risco.

Se os ataques continuarem, o mercado poderá manter o petróleo pressionado.

Para o brasileiro

A principal preocupação não é apenas quanto estará o litro da gasolina amanhã.

É saber quanto tempo o petróleo permanecerá caro.

Uma alta de poucos dias pode ser absorvida com relativa facilidade.

Uma crise prolongada pode contaminar combustíveis, fretes, inflação e juros.

É esse cenário que o mercado acompanha neste momento.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!