21 de setembro de 2026
Um novo vídeo divulgado neste fim de semana colocou novamente no centro do debate a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
As imagens, divulgadas em 20 de setembro, mostram Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de uma aeronave no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O registro foi feito em 22 de agosto de 2025.
Segundo as informações divulgadas, a aeronave era um Legacy 650, operado pela Prime Aviation. Na época do voo, Daniel Vorcaro ainda fazia parte do quadro societário da empresa de aviação.
O que o novo vídeo mostra?
O registro mostra Alexandre de Moraes e Viviane Barci desembarcando juntos da aeronave. A divulgação do vídeo ganhou repercussão porque o gabinete do ministro havia afirmado anteriormente que ele jamais havia viajado em avião de Daniel Vorcaro.
O novo material, entretanto, precisa ser analisado com uma distinção importante: o vídeo comprova a presença de Moraes e de sua esposa em uma aeronave operada pela Prime Aviation, mas não demonstra, por si só, que Daniel Vorcaro estivesse presente no voo ou que o ministro tivesse viajado pessoalmente com o empresário.
Após a divulgação das imagens, o escritório Barci de Moraes confirmou que utiliza serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation. A banca também confirmou que, em algumas viagens, Viviane Barci foi acompanhada pelo marido, Alexandre de Moraes.
Segundo o escritório, Daniel Vorcaro não esteve presente nesses voos e as contratações seguiram critérios operacionais. A banca também afirmou não possuir contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation nem participação societária na empresa.
A declaração anterior
A repercussão também está relacionada a uma declaração anterior atribuída ao gabinete de Alexandre de Moraes. Em abril de 2026, o ministro havia afirmado, por meio de nota, que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”.
O novo vídeo passou a ser questionado justamente porque registra o ministro em uma aeronave de uma empresa que, naquele período, ainda tinha Vorcaro entre seus sócios.
A diferença entre as duas informações é um dos pontos que passaram a ser analisados no contexto mais amplo do caso Banco Master. Até o momento, Moraes não apresentou uma nova manifestação pública específica sobre o vídeo, enquanto o escritório de sua esposa apresentou sua explicação sobre as contratações de táxi aéreo.
O contrato de R$ 131 milhões
O episódio dos voos se soma a outro ponto já documentado nas investigações relacionadas ao Banco Master: o contrato firmado entre a instituição financeira e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes.
O documento, assinado em janeiro de 2024, previa a prestação de serviços jurídicos durante 36 meses, com remuneração de R$ 3 milhões líquidos por mês.
Considerados os tributos previstos no próprio contrato, o valor bruto total poderia chegar a aproximadamente R$ 131,3 milhões ao longo dos três anos.
O contrato previa serviços relacionados a diferentes áreas, incluindo consultoria estratégica e atuação perante órgãos como Polícia Federal, Banco Central, Receita Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Documentos divulgados posteriormente passaram a integrar a análise das autoridades responsáveis pela apuração do caso.
O que está comprovado?
Fato documentado:
Um vídeo registra Alexandre de Moraes e Viviane Barci desembarcando de uma aeronave operada pela Prime Aviation em 22 de agosto de 2025.
Fato documentado:
O escritório Barci de Moraes confirmou que utilizou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation e que, em algumas viagens, Viviane esteve acompanhada pelo marido.
Fato documentado:
Na data registrada no vídeo, Daniel Vorcaro ainda fazia parte do quadro societário da empresa de aviação.
Fato documentado:
O escritório de Viviane Barci manteve contrato com o Banco Master que previa aproximadamente R$ 131,3 milhões em valores brutos durante três anos.
O que ainda precisa ser esclarecido?
A existência do voo e do contrato são fatos documentados. Já a eventual existência de conflito de interesses, favorecimento, irregularidade ou responsabilidade criminal não pode ser concluída apenas a partir desses elementos.
Também permanece relevante esclarecer a relação empresarial entre Daniel Vorcaro, a Prime Aviation e as empresas responsáveis pelos voos, além das circunstâncias específicas das viagens realizadas pelo casal.
Outro ponto em análise é a relação entre o contrato do Banco Master e os demais documentos e comunicações que passaram a integrar as investigações.
E como está a situação no STF?
O caso também chegou ao plenário do Supremo. Em setembro, os ministros passaram a discutir questões relacionadas à eventual abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e os elementos reunidos no caso Banco Master.
Na sessão de 15 de setembro, houve divergência entre os ministros sobre a condução e a forma de análise do caso. O ministro Flávio Dino pediu vista, e a discussão ficou pendente de continuidade.
Portanto, não há neste momento uma conclusão judicial de que Alexandre de Moraes tenha cometido crime ou praticado favorecimento relacionado ao Banco Master. As informações divulgadas estão sendo analisadas dentro de um cenário de disputa processual e institucional ainda em andamento.
Por que isso importa?
O episódio chama atenção porque reúne três elementos distintos: registros de viagens em aeronaves ligadas empresarialmente a Daniel Vorcaro, um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório da esposa de um ministro do STF e discussões sobre mensagens e documentos que integram as investigações do caso.
Separar esses elementos é importante para evitar conclusões antecipadas. A existência de uma relação comercial ou de uma viagem em aeronave de determinada empresa, isoladamente, não estabelece a prática de crime. Da mesma forma, a confirmação do voo acrescenta uma informação concreta que precisa ser considerada na apuração do conjunto dos fatos.
O que observar daqui para frente?
Os próximos passos dependem principalmente da continuidade das discussões no Supremo e da análise dos documentos e informações reunidos no caso Banco Master.
Entre os pontos que podem ganhar importância estão a avaliação das mensagens e contratos, a situação processual de eventuais envolvidos e os esclarecimentos sobre as relações entre as empresas ligadas a Daniel Vorcaro e os profissionais que utilizaram seus serviços.
Em resumo: o novo vídeo acrescenta um registro concreto sobre a utilização, por Alexandre de Moraes e sua esposa, de uma aeronave operada pela Prime Aviation em agosto de 2025. O escritório confirmou a contratação de serviços de táxi aéreo da empresa e negou vínculo pessoal com Daniel Vorcaro. O contrato de aproximadamente R$ 131,3 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci também permanece entre os elementos analisados no caso. As eventuais consequências jurídicas e a existência ou não de irregularidades ainda dependem da apuração e das decisões das autoridades competentes.
Fontes consultadas: Folha de S.Paulo, UOL, InfoMoney, Agência Brasil e documentos públicos relacionados ao caso Banco Master.