ECONOMIA • CONTAS PÚBLICAS
Juros da dívida pública chegam a R$ 1,2 trilhão em 12 meses e pressionam as contas do Brasil
Os gastos com juros da dívida pública brasileira somaram R$ 1,205 trilhão no acumulado de 12 meses até setembro de 2026, o equivalente a 8,99% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram divulgados pelo Banco Central e mostram aumento em relação ao mesmo período do ano passado.
IMPORTANTE
Juros da dívida, déficit primário e déficit nominal são indicadores diferentes. O déficit primário não inclui os juros; o déficit nominal considera tanto o resultado primário quanto os juros apropriados no período.
Juros aumentaram em relação a 2025
No período de 12 meses encerrado em setembro de 2025, os juros nominais haviam somado R$ 984,8 bilhões, equivalentes a 7,86% do PIB.
Em setembro de 2026, somente naquele mês, as despesas com juros chegaram a R$ 107,5 bilhões, ante R$ 84,7 bilhões em setembro do ano anterior.
Segundo o Banco Central, o resultado foi influenciado pelo crescimento do estoque da dívida, pela inflação e por um resultado menos favorável das operações de swap cambial em comparação com setembro de 2025.
Déficit primário e nominal
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro. O resultado considera receitas e despesas, mas exclui os gastos com juros.
No acumulado de 12 meses, o déficit primário chegou a R$ 70,1 bilhões, equivalente a 0,52% do PIB.
Quando os juros são incluídos, o resultado passa a ser o déficit nominal. Esse indicador alcançou R$ 113 bilhões em setembro e R$ 1,275 trilhão no acumulado de 12 meses, ou 9,51% do PIB.
Números de setembro de 2026
- Juros nominais em 12 meses: R$ 1,205 trilhão
- Juros nominais: 8,99% do PIB
- Déficit primário em 12 meses: R$ 70,1 bilhões
- Déficit primário: 0,52% do PIB
- Déficit nominal em 12 meses: R$ 1,275 trilhão
- Déficit nominal: 9,51% do PIB
Dívida bruta alcança R$ 11,1 trilhões
A Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 82,9% do PIB em setembro, equivalente a aproximadamente R$ 11,1 trilhões. O percentual ficou estável em relação a agosto, mas acumula alta de 4,3 pontos percentuais do PIB desde o início de 2026.
De acordo com o Banco Central, os juros nominais contribuíram com 7,2 pontos percentuais para o aumento da relação dívida/PIB no acumulado do ano. As emissões líquidas de dívida acrescentaram 1,1 ponto percentual, enquanto o crescimento do PIB nominal ajudou a reduzir o indicador em 3,9 pontos.
O desafio fiscal
O peso dos juros evidencia como o custo de financiamento influencia a trajetória das contas públicas. Quando o governo precisa destinar uma parcela elevada de seus recursos ao serviço da dívida, diminui o espaço fiscal disponível para outras despesas, embora o impacto concreto dependa da arrecadação, do crescimento econômico e das decisões orçamentárias.
A evolução da dívida nos próximos meses dependerá de fatores como a taxa de juros, o resultado primário, o crescimento do PIB nominal e as condições de financiamento do governo.
EM RESUMO
O Brasil gastou R$ 1,205 trilhão com juros da dívida em 12 meses até setembro, o equivalente a 8,99% do PIB. No mesmo período, o déficit nominal chegou a R$ 1,275 trilhão e a dívida bruta atingiu 82,9% do PIB. Os números mostram a dimensão do custo financeiro e a importância de acompanhar a trajetória da dívida, dos juros e do resultado fiscal.
Fontes
Estação Fogo e Poder
Informação, contexto e acompanhamento dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.