Galípolo é intimado pela PF para depor como testemunha no caso Banco Master
Presidente do Banco Central deverá ser ouvido em outubro; investigação apura suspeitas de favorecimento ao grupo de Daniel Vorcaro dentro da autoridade monetária
Por Fogo e Poder
Publicado em 25/09/2026 13:29
Novidades

25 de setembro de 2026

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou que foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento no inquérito que investiga possíveis irregularidades envolvendo servidores da autoridade monetária e o Banco Master.

Segundo Galípolo, o depoimento deverá ocorrer no início de outubro, embora ele tenha afirmado que não se lembrava da data exata.

O presidente do Banco Central será ouvido na condição de testemunha.

Além de Galípolo, a Polícia Federal também intimou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o diretor de Fiscalização da instituição, Ailton de Aquino, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Os quatro foram chamados para prestar esclarecimentos como testemunhas.

Importante:
A condição de testemunha não significa que Gabriel Galípolo, Roberto Campos Neto, Ailton de Aquino ou André Esteves sejam investigados ou acusados de crime. O objetivo da oitiva é obter informações relevantes para a investigação.

O que a Polícia Federal investiga?

O inquérito busca esclarecer se servidores ou ex-servidores do Banco Central teriam atuado de forma indevida em benefício dos interesses de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Entre os pontos analisados estão os contatos mantidos entre funcionários da autoridade monetária e representantes do banco, além de eventuais orientações relacionadas a processos de fiscalização e procedimentos administrativos.

Segundo informações já apresentadas no inquérito, a Polícia Federal apura se servidores do Banco Central teriam fornecido a Vorcaro informações ou orientações estratégicas sobre como conduzir reuniões e tratar processos envolvendo a instituição financeira.

As defesas de servidores citados na investigação negam favorecimento e contestam as acusações.

Por que Galípolo foi chamado?

O depoimento de Galípolo deverá ajudar os investigadores a esclarecer decisões e procedimentos adotados pelo Banco Central durante o período em que o Banco Master esteve sob fiscalização da instituição.

O presidente do BC também poderá ser questionado sobre os contatos entre dirigentes da autoridade monetária e integrantes do Banco Master, além da tramitação de assuntos relacionados ao banco.

A Polícia Federal busca comparar esses relatos com outros elementos já reunidos no inquérito, como mensagens, depoimentos e documentos.

O que o depoimento pode esclarecer?

• Como eram conduzidos os contatos entre o Banco Central e o Banco Master;

• Quais informações eram compartilhadas durante esses contatos;

• Como funcionavam os procedimentos de fiscalização;

• Quem participou de determinadas decisões e reuniões;

• E se as orientações dadas aos representantes do banco faziam parte da rotina institucional ou ultrapassavam os limites da atividade regulatória.

Outras testemunhas também foram intimadas

A investigação não se limitará ao depoimento de Galípolo.

A Polícia Federal também chamou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o diretor de Fiscalização Ailton de Aquino e o banqueiro André Esteves.

A presença de pessoas que ocuparam diferentes posições no sistema financeiro e na autoridade monetária pode ajudar os investigadores a confrontar versões e reconstruir a sequência de acontecimentos.

Ailton de Aquino, que já prestou depoimento anteriormente no caso, relatou à Polícia Federal que dois ex-servidores do Banco Central teriam insistido para que ele recebesse Daniel Vorcaro em uma reunião realizada em novembro de 2025, pouco antes da liquidação do Banco Master. :contentReference[oaicite:2]{index=2}

Em outro depoimento, Aquino também relatou que Galípolo havia informado a ele sobre suspeitas de que dois servidores do BC teriam recebido valores de Vorcaro. :contentReference[oaicite:3]{index=3}

As declarações de Vorcaro também estão no inquérito

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, já prestou declarações à Polícia Federal nas quais afirmou que o Banco Central e seus dirigentes teriam adotado uma postura de concordância e incentivo em relação à tentativa de fusão entre o Master e o BRB.

Entre os nomes mencionados por Vorcaro está o próprio Gabriel Galípolo.

Essas declarações fazem parte do conjunto de informações que serão confrontadas pelos investigadores. Elas representam a versão apresentada pelo ex-banqueiro e não constituem, isoladamente, prova de que tenha ocorrido favorecimento.

A CNN Brasil informou que Vorcaro afirmou à PF que Galípolo e outros integrantes da diretoria do Banco Central teriam incentivado a conclusão da fusão. :contentReference[oaicite:4]{index=4}

Fato x declaração
Fato: Daniel Vorcaro apresentou essa versão em depoimento à Polícia Federal.

Ainda precisa ser apurado: se os contatos e orientações descritos por Vorcaro configuraram atuação regular do Banco Central ou eventual favorecimento indevido.

O que está sendo investigado exatamente?

A investigação precisa diferenciar dois cenários.

No primeiro, contatos frequentes entre servidores do Banco Central e representantes de uma instituição financeira poderiam fazer parte do trabalho normal de supervisão, fiscalização e acompanhamento regulatório.

No segundo, informações internas ou orientações poderiam ter sido utilizadas de maneira indevida para beneficiar interesses particulares.

É essa diferença que os investigadores precisarão esclarecer a partir do cruzamento entre documentos, mensagens, depoimentos e registros dos procedimentos administrativos.

Quais irregularidades estão sob análise?

VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES
A PF apura se informações protegidas ou estratégicas relacionadas a processos do Banco Central foram repassadas indevidamente.

FAVORECIMENTO
Os investigadores querem saber se servidores atuaram para beneficiar o Banco Master ou seus dirigentes.

INTERFERÊNCIA EM PROCESSOS
Também está sob análise se houve interferência indevida em procedimentos administrativos ou de fiscalização.

RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL
Mesmo que alguma irregularidade seja confirmada, será necessário determinar quem participou, qual foi sua atuação e qual era seu conhecimento sobre os fatos.

O que não significa a intimação de Galípolo?

O fato de o presidente do Banco Central ter sido intimado pela Polícia Federal não significa que ele seja investigado ou acusado de crime.

Como testemunha, Galípolo deverá prestar esclarecimentos sobre fatos que possam contribuir para a apuração.

A condição jurídica de cada pessoa chamada pela PF precisa ser observada separadamente, porque uma testemunha pode fornecer informações sobre acontecimentos sem ser apontada como autora de qualquer irregularidade.

Fato x investigação

FATO
Gabriel Galípolo confirmou ter recebido uma intimação da Polícia Federal.

FATO
O depoimento está previsto para o início de outubro, embora a data exata ainda não esteja definida publicamente por Galípolo.

FATO
Galípolo será ouvido como testemunha.

FATO
Roberto Campos Neto, Ailton de Aquino e André Esteves também foram intimados como testemunhas.

INVESTIGAÇÃO
A PF apura se servidores e ex-servidores do Banco Central atuaram de maneira indevida em favor de Daniel Vorcaro e do Banco Master.

AINDA NÃO CONCLUÍDO
Se houve vazamento de informações, favorecimento ou qualquer outra conduta ilegal e qual seria a responsabilidade individual de cada envolvido.

O que acontece agora?

O depoimento de Galípolo deverá ocorrer no início de outubro, juntamente com outras etapas da investigação.

A partir das oitivas, a Polícia Federal poderá confrontar as declarações dos atuais e antigos integrantes do Banco Central com documentos, mensagens e outros elementos já reunidos no inquérito.

O resultado dessas oitivas também poderá ajudar a esclarecer a atuação dos servidores que já são alvo das investigações.

Até o momento, o inquérito continua em andamento e não há conclusão pública definitiva sobre eventual responsabilidade criminal do presidente do Banco Central.

O que observar nas próximas semanas?

  • O depoimento de Gabriel Galípolo;
  • As oitivas de Roberto Campos Neto, Ailton de Aquino e André Esteves;
  • Novos documentos e mensagens incorporados ao inquérito;
  • Eventuais conclusões da Polícia Federal sobre a atuação dos servidores do Banco Central;
  • As decisões judiciais relacionadas ao avanço da investigação do Banco Master.
EM RESUMO

Gabriel Galípolo confirmou que foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento no caso Banco Master. A previsão é que ele seja ouvido no início de outubro, na condição de testemunha.

A PF também convocou Roberto Campos Neto, Ailton de Aquino e André Esteves para prestar esclarecimentos.

A investigação apura se servidores do Banco Central atuaram de maneira indevida em favor de Daniel Vorcaro e se houve eventual vazamento de informações, favorecimento ou interferência em procedimentos administrativos. Essas questões ainda dependem da conclusão das investigações.

Fontes: Banco Central do Brasil; Polícia Federal; CNN Brasil. Informações atualizadas em 25 de setembro de 2026.

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