Governo prepara linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes após proibição das bets
O governo federal articula uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes de futebol e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) que enfrentarem dificuldades financeiras após a proibição das apostas esportivas online.
Por Fogo e Poder
Publicado em 29/09/2026 19:18
Novidades

29 de setembro de 2026

Governo prepara linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes após proibição das bets

Medida busca ajudar clubes de futebol e SAFs a reorganizar dívidas diante da possível perda de receitas provenientes de patrocínios de empresas de apostas.

O governo federal articula uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes de futebol e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) afetados financeiramente pelas mudanças no mercado de apostas esportivas.

A iniciativa ganhou força após a edição da Medida Provisória nº 1.394, que determinou a proibição das operações de apostas esportivas e jogos on-line no país.

Importante:
O valor de até R$ 20 bilhões ainda não foi liberado. A estrutura e as condições do financiamento dependem das definições do governo.

Por que os clubes foram afetados?

As empresas de apostas passaram a ocupar um espaço significativo no mercado de patrocínios esportivos brasileiro nos últimos anos.

Segundo dados citados na reportagem que deu origem à discussão, 14 dos 20 clubes da Série A possuíam patrocínio de empresas do setor.

As plataformas teriam destinado aproximadamente R$ 1,143 bilhão aos 20 maiores clubes brasileiros em 2025, valor equivalente a cerca de 34% da receita de marketing dessas equipes.

A dependência, porém, varia entre os clubes.

No São Paulo, por exemplo, os contratos com empresas de apostas chegaram a representar aproximadamente 73% da receita de marketing, segundo os dados citados.

No Flamengo, o presidente do clube estimou perdas entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões no orçamento do próximo ano caso os contratos relacionados às apostas sejam efetivamente interrompidos.

Como funcionaria o crédito?

O modelo discutido prevê uma modalidade de financiamento para reestruturação financeira, permitindo que clubes e SAFs substituam determinadas dívidas por operações de prazo mais longo.

As informações divulgadas apontam para financiamentos que poderiam chegar a 20 anos, com possibilidade de período de carência.

A intenção seria reduzir a pressão financeira sobre instituições que possuem dívidas de custo elevado.

O ponto central
Ainda precisam ser definidos critérios de acesso, taxas de juros, garantias, prazos, limites individuais e origem dos recursos.

E o papel do BNDES?

Um dos pontos que ainda geram dúvidas é a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Algumas informações associaram o programa às condições de financiamento praticadas pelo banco. Outras apontaram que o BNDES teria negado estar negociando diretamente a operação.

Essa divergência precisa ser esclarecida antes que o banco seja apresentado como responsável pela concessão dos recursos.

O que mudou no mercado de apostas?

A iniciativa ocorre no contexto da Medida Provisória nº 1.394, editada pelo governo federal.

A medida determinou a proibição das operações de apostas esportivas e jogos on-line, provocando reação entre empresas do setor e instituições que possuem contratos relacionados às apostas.

A MP ainda precisa passar pelo processo legislativo no Congresso Nacional.

Representantes do setor de apostas também contestam judicialmente a medida e questionam seus efeitos sobre empresas que haviam realizado investimentos e obtido autorização para atuar de acordo com a legislação anterior.

Clubes buscam alternativas para substituir receitas

Durante os últimos anos, as empresas de apostas passaram a ocupar espaços relevantes nos uniformes, placas, propriedades comerciais e demais ativos de marketing das equipes.

Caso os contratos sejam encerrados ou não possam mais ser executados, os clubes precisarão encontrar novas fontes de receita para compensar os valores perdidos.

Para as equipes mais dependentes desse mercado, a substituição dos contratos pode representar um desafio financeiro significativo.

A questão política

Fato x interpretação:
A proibição das apostas foi adotada poucos dias antes do primeiro turno das eleições, e posteriormente passou a ser discutido um mecanismo de crédito para clubes potencialmente afetados.

Adversários do governo afirmam que existe relação entre o momento da medida e o calendário eleitoral. Essa avaliação constitui interpretação política e não deve ser apresentada como fato comprovado.

Também é fato que clubes e entidades esportivas manifestaram preocupação com os possíveis efeitos financeiros da interrupção dos contratos de patrocínio.

O que acontece agora?

  • Congresso Nacional: a MP precisa ser analisada pelos parlamentares e poderá ser aprovada, modificada ou perder validade.
  • Crédito: o governo ainda precisa definir oficialmente as condições do financiamento.
  • Clubes: as equipes terão de avaliar a dimensão das perdas provocadas pela eventual interrupção dos patrocínios.
  • Mercado de apostas: empresas do setor continuam contestando a medida e seus efeitos.

O que observar daqui para frente?

  • A tramitação da MP 1.394 no Congresso;
  • A publicação das regras oficiais da linha de crédito;
  • Os critérios para que clubes e SAFs possam contratar os financiamentos;
  • As taxas de juros, prazos e garantias exigidas;
  • A definição da origem dos recursos;
  • As decisões judiciais envolvendo a proibição das apostas;
  • A capacidade dos clubes de substituir os contratos perdidos.
EM RESUMO

O governo federal discute uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes de futebol e SAFs afetados financeiramente pelas mudanças no mercado de apostas.

O objetivo é permitir a reestruturação de dívidas, com financiamentos de prazo mais longo, diante da possível perda de receitas de patrocínio.

As condições do programa, a origem dos recursos e o papel do BNDES ainda precisam ser esclarecidos.

Fontes: informações divulgadas pela Gazeta do Povo e outros veículos de imprensa; legislação e documentos oficiais relacionados à Medida Provisória nº 1.394. Informações referentes a 29 de setembro de 2026.

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