Governo registra déficit de R$ 13,6 bilhões em agosto; rombo acumulado chega a R$ 94,9 bilhões
As contas do Governo Central registraram déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto de 2026, segundo dados oficiais divulgados pelo Tesouro Nacional.
Por Fogo e Poder
Publicado em 30/09/2026 13:21
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30 de setembro de 2026

As contas do Governo Central registraram déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto de 2026, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional.

O resultado mensal foi melhor que o registrado em agosto de 2025, quando o déficit chegou a R$ 15,5 bilhões, e também ficou abaixo da mediana de R$ 16 bilhões projetada pelo Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda.

No acumulado entre janeiro e agosto, porém, o resultado foi diferente. O Governo Central registrou déficit primário de R$ 94,9 bilhões, contra R$ 85,9 bilhões no mesmo período de 2025.

O que o número representa?
O resultado primário considera as receitas e despesas do Governo Central antes do pagamento dos juros da dívida. Portanto, os R$ 94,9 bilhões correspondem ao déficit primário acumulado e não representam, isoladamente, o total da dívida pública brasileira.

Quem compõe o Governo Central?

O cálculo reúne principalmente três grupos:

  • • Tesouro Nacional;
  • • Banco Central;
  • • Previdência Social.

Quando as despesas consideradas no resultado superam as receitas, o Governo Central registra déficit primário.

Previdência pesa no resultado de agosto

Em agosto, Tesouro Nacional e Banco Central registraram conjuntamente superávit de R$ 5 bilhões.

A Previdência Social, por outro lado, apresentou déficit de R$ 18,6 bilhões.

A diferença entre esses resultados contribuiu diretamente para o déficit de R$ 13,6 bilhões registrado pelo Governo Central no mês.

Receitas cresceram, mas despesas também

Entre janeiro e agosto, a receita líquida apresentou crescimento real de 5,7%, descontada a inflação. O avanço corresponde a aproximadamente R$ 90 bilhões.

As despesas, entretanto, também cresceram 5,7% no mesmo período, representando cerca de R$ 96,3 bilhões adicionais.

Em agosto, o comportamento foi um pouco diferente: a receita líquida cresceu 3,5% acima da inflação, enquanto as despesas aumentaram 1,9%.

Dois períodos, dois resultados

Agosto: déficit menor que o registrado no mesmo mês de 2025.

Janeiro a agosto: déficit maior que o acumulado no mesmo período do ano passado.

Fundo Eleitoral aumentou as despesas

Entre os gastos registrados em agosto está o Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

Segundo os dados apresentados pelo Tesouro Nacional, foram destinados R$ 4,9 bilhões ao Fundo Eleitoral no mês. Como essa despesa não ocorreu no mesmo período de 2025, ela contribuiu para pressionar o resultado de agosto.

Também houve aumento de aproximadamente:

  • R$ 2,7 bilhões em benefícios previdenciários;
  • R$ 2,4 bilhões em abono salarial e seguro-desemprego;
  • R$ 1,3 bilhão em créditos extraordinários relacionados às medidas adotadas diante dos impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio.

Na direção oposta, as despesas discricionárias recuaram aproximadamente R$ 5,6 bilhões.

O que os números mostram?

A comparação depende do período analisado.

Em agosto, houve melhora em relação ao mesmo mês de 2025: o déficit caiu de R$ 15,5 bilhões para R$ 13,6 bilhões.

No acumulado do ano, porém, ocorreu o movimento contrário. O déficit passou de R$ 85,9 bilhões para R$ 94,9 bilhões.

Os dois resultados são compatíveis e mostram que um mês isolado não necessariamente representa a trajetória fiscal de todo o ano.

Por que acompanhar o resultado fiscal?

O resultado primário é um dos indicadores utilizados para acompanhar a situação das contas públicas.

A evolução das receitas e despesas influencia as expectativas relacionadas à política fiscal e pode afetar a percepção de risco da economia, com reflexos sobre variáveis como juros, câmbio e inflação.

Entretanto, o resultado de um único mês não determina sozinho a trajetória futura da dívida pública.

O que precisa ser acompanhado:
A evolução conjunta da arrecadação, despesas, resultado primário, pagamento de juros e dívida pública oferece uma visão mais ampla das contas do governo.

O que acontece agora?

O resultado de agosto será incorporado ao acompanhamento fiscal do Governo Central ao longo do segundo semestre.

Os próximos dados permitirão verificar se a melhora registrada especificamente em agosto se mantém nos meses seguintes ou se o déficit acumulado continuará acima do observado em 2025.

O que observar daqui para frente?

  • A evolução da receita líquida;
  • O ritmo de crescimento das despesas;
  • O resultado primário acumulado;
  • A trajetória dos gastos previdenciários;
  • O comportamento da dívida pública;
  • O impacto dos juros sobre as contas públicas.
EM RESUMO

O Governo Central registrou déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto, resultado melhor que o registrado no mesmo mês de 2025 e abaixo da expectativa mediana do Prisma Fiscal.

No acumulado de janeiro a agosto, entretanto, o déficit chegou a R$ 94,9 bilhões, acima dos R$ 85,9 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Os números mostram, portanto, uma melhora no resultado mensal, mas um déficit acumulado maior. A trajetória das contas públicas dependerá do comportamento das receitas, despesas, juros e dívida nos próximos meses.

Fonte: Tesouro Nacional e Ministério da Fazenda. Informações referentes a agosto de 2026, divulgadas em 30 de setembro de 2026.

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